Existem algumas discrepâncias absurdas na bíblia cristã que me fizeram questionar, duvidar e posteriormente desacreditar dessa fé. Nasci e cresci em berço evangélico, e a maior parte da minha vida possivelmente foi dentro de uma igreja. Analisando as passagens bíblicas em separado pode-se obter até uma certa “coerência”, mas se analisarmos o livro de uma forma macro comparando passagens existentes nele mesmo, vemos que as coisas não fazem tanto sentido assim. Aqui abaixo uma das passagens mais famosas e mais controversas.

“E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente.
Então arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem sobre a terra e pesou-lhe em seu coração.
E disse o Senhor: Destruirei o homem que criei de sobre a face da terra, desde o homem até ao animal, até ao réptil, e até à ave dos céus; porque me arrependo de os haver feito.” 
Gênesis 6:5-7

E olha que nessa época nem existia funk!

Quando eu li isso, algumas coisas me vieram à cabeça:
Deus simplesmente matou todo mundo porquê o que eles faziam era “errado”.
Isso soa muito como “A bola é minha, vocês não sabem brincar, então ninguém brinca”. Deus é o dono da bola e se você não souber brincar, você será fulminado. Misericordioso ele né?!
Aí me veio à mente o conceito de livre arbítrio, Deus não poderia matar todo mundo simplesmente por quê resolveram tomar uma certa atitude, mesmo que não a aprove, isso seria interferir na vida e ferir diretamente o livre arbítrio estabelecido por ele mesmo. Se ele nos permitiu o livre arbítrio, logo ele permite que façamos qualquer coisa, inclusive as que estão fora das regras estabelecidas por ele.
Se de fato há um livre arbítrio, qual a necessidade de regras divinas? Chego à conclusão de que não há de fato um livre arbítrio, você não  pode ter escolhas, ou você segue as leis dele (dessa forma perdendo seu “livre arbítrio”) ou vai pro inferno. Não há escolha, você não pode escolher simplesmente ser uma pessoa boa.
Outro ponto, se ele é realmente onisciente, antes da criação ele já saberia que isso iria acontecer, porquê fazer algo pelo qual vai se arrepender depois?

Leia agora este versículo: “E viu o Senhor que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente.
” A interpretação atribuída a isso é de que a maldade era algo que já fazia parte do homem, um impulso natural. Mas de onde vem isso? Isso vem da criação: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” (Gênesis 1:26). A imagem e semelhança retratadas aí não é algo físico, mas é interpretado como sendo características atribuídas à alma ou espírito. Alguns interpretam como a capacidade de cognição, a capacidade de criar, imaginação e tudo aquilo que nos difere dos outros animais. Mas eu acho que não fica só por aí, a imagem e semelhança traria todas as outras coisas também. É só pensar, ou fazer um teste, se olhe em um espelho, aquilo é sua imagem e semelhança, o reflexo não trás só suas qualidades, trás tudo exatamente do jeito que é. Voltando agora para a passagem, a maldade presente no coração do homem faz parte do reflexo de deus nele, a maldade era algo que fazia parte do âmago.

Assim como disse no texto sobre o holocausto, não há um lado 100% bom e um 100% ruim. É tudo uma mistura, cheia de nuances. Ainda mais tendo em vista que foi deus que criou o pecado. No momento em que criou a árvore do fruto o qual não poderiam comer, deus estava criando ali a possibilidade do pecado e a tentação, se o pecado veio a existir foi a partir de uma criação dele, e mesmo assim condenando o homem por algo que ele mesmo fez. Pensando assim, aquele deus antes 100% bonzinho outrora já não é mais a pura bondade.

Mas a passagem não fala que a causa do arrependimento era apenas a maldade no coração do homem. “E disse o Senhor: Destruirei o homem que criei de sobre a face da terra, desde o homem até ao animal, até ao réptil, e até à ave dos céus; porque me arrependo de os haver feito.” Aí diz claramente “Me arrependo de OS haver feito”, a causa do arrependimento não é só o homem mas sim toda a criação. Isso levanta um outro questionamento, se o arrependimento foi sobre toda a obra, porquê salva-la? Ou porquê cria-la?

Em números 23:19 diz: “Deus não é homem, para que minta, nem filho do homem, para que se arrependa…” O estranho é que em gênesis está escrito justamente o contrário “Então arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem sobre a terra…” Dizem que Deus é amor, ele é misericordioso e blá-blá-blá. E quanto àquele povo? Como fica? Dizem que ele não faz acepção de pessoas, não é o que parece.

Quando alguém te parar na rua e te dizer “Jesus te ama”, torça para que ele te ame mesmo, caso contrário você corre grande risco de ser fulminado, ou morrer afogado na chuva.

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