“A vida é feita de escolhas. Quando você dá um passo à frente, inevitavelmente alguma coisa fica para trás.”.

Antes de tudo, preciso que saibam que tudo aqui descrito se trata de uma história real, por pior que pareça. E, ah, peço desculpas desde já, mas vai ser textão.

Bom, o ano? Era 2015. Eu, recém formado no ensino médio, sequer sabia se tinha mesmo entendido o que era uma função logarítmica (e isso, claro, me arrumaria uma baita dor de cabeça depois), quanto mais o que eu queria realmente fazer dali pra frente. Incrivelmente, a minha dúvida não era, e nunca foi, em relação a qual profissão eu queria seguir, mas sim, como eu faria para chegar até lá.

Obviamente, não muito depois de formado, chegou o grande dia ao qual a maioria dos jovens que terminam o ensino médio tem que passar: o dia em que é necessário decidir qual curso fará e entrar no processo para concorrer a uma vaga no SiSU e/ou ProUNI. Eu estava apavorado, afinal, a profissão que eu sempre sonhei não necessitava de todo este processo, mas sim, ser aprovado em um concurso público (seria eu o louco dos concursos?) e colocar minha nota para qualquer curso superior que seja, seria assinar a sentença de que eu teria desistido de um sonho.

Como alguém que joga os dados de olhos fechados, eu lancei minhas notas (provavelmente a única pessoa nesse país que lançou a nota na esperança de não passar em nada). Eu pensei que não passaria em nada e que daí pra frente seria muito mais fácil, pois teria uma desculpa para continuar correndo atrás daquilo que eu realmente queria. Mas o destino (ah, o destino) me pregou uma peça. Fui aprovado, não só no SiSU, mas também no ProUNI.  Decidi resistir, optar por começar a faculdade só no meio do ano, era a desculpa que eu usava. A pressão dos pais, e de todos a minha volta era gigantesca. Afinal, era loucura (era?) jogar fora a oportunidade de fazer o ensino superior gratuito por mero capricho meu.

Passaram alguns meses e como num piscar de olhos o meio do ano chegou, e lá estavam elas, as vagas do SiSU e ProUNI. Agora era a hora, não tinha mais jeito, ou eu faria o ensino superior ou a sociedade me enforcava. E lá fui eu, mais uma vez, jogar os dados da sorte, não teve jeito, aprovado em Engenharia Mecânica (logo eu, que nunca fui de exatas… nem de humanas, nem de biológicas.), bolsa de 100%.

Decidido de que pelo menos as aulas de matemática do curso me fariam chegar mais próximo do meu sonho, eu resolvi abraçar a engenharia. No início foi tudo lindo, cheguei a me perguntar por qual razão eu tive tanto medo de entrar numa faculdade. E, de fato, as constantes (e bota constantes nisso) aulas de matemática do curso começaram a me fazer melhorar na matéria (lê-se melhorar, não entender – função logarítmica ainda é uma incógnita pra mim, não vou negar -.).

Concomitantemente, percebi que a engenharia tomava tempo demais, era necessário dedicação, e isso inevitavelmente fazia com que eu, aos poucos, parasse de estudar outros conteúdos que eram de suma importância para mim e focasse, somente, e tão somente, na minha querida (ou não tão querida assim) matemática.

O tempo passou, finalmente chegou a época do ano que eu tanto esperei, época pela qual eu havia estudado horas e horas, o dia que mudaria minha vida (amém). Chegara o dia em que eu prestaria o concurso público para fazer aquilo que eu realmente queria. O plano era infalível: eu passava no concurso, largava a engenharia e seria feliz para sempre (ê lerê, isso é viver).

Tempos depois, o resultado do concurso saiu. Nunca estive tão ansioso. Mas pra minha infelicidade, eu não havia sido aprovado. Fiquei por poucos pontos em algumas matérias, exceto matemática, nesta arrebentei (teria a engenharia cumprido o seu propósito?). Os dias não foram mais os mesmos, eu já não tinha ânimo para ir para a faculdade. Eu havia caído no limbo, junto com todas aquelas pessoas que ingressaram em uma faculdade sem saber o que de fato queriam, apenas por pressões externas.

E foi daí para pior. Eu simplesmente comecei a achar que o sofá do corredor da faculdade era infinitamente melhor que a cadeira da sala de aula. Que o lanche que era comprado lá fora (sim, aquele que faria eu perder 5 minutinhos propositais na volta do intervalo), era mais gostoso. E que tudo aquilo que estava escrito no quadro, embora eu soubesse do que se tratava, eu já não queria mais aprender. A engenharia tornou-se um pesadelo para mim.

E foi aí, que movido pela incrível motivação de ter sido aprovado em um outro concurso (essa história fica pra depois), eu decidi largar de vez a engenharia (aquele lugar que fez com que os meus maiores pesadelos matemáticos viessem à tona). Não me arrependo da escolha, pelo contrário, colocar meu sonho acima da pressão dos meus pais, gostos de terceiros e opinião da sociedade, foi uma das escolhas mais assertiva que já fiz (depois da minha namorada, que foi a melhor escolha).

Hoje, quase um ano depois de ter saído da engenharia, posso afirmar que foi importante pra mim dar esse passo para a frente e deixar a faculdade para trás. Sigo lutando em busca do meu sonho, com o foco na máxima de que: “Quem faz o que gosta, vive de férias.”. Finalmente posso olhar pra trás e poder contar com um sorriso a história de como quase me tornei um engenheiro.

 

 

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